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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sketchbook como processo criativo.

Sketchbook é um livro ou um caderno com paginas em branco para fazer esboço e estudos de desenho, geralmente utilizado por artistas, desenhistas e ilustradores como parte do processo criativo em seu trabalho.
            Numa exposição de sketchbooks para o Fogg Art Museum na Universidade Havard em 2006, os sketchbooks foram classificados nas seguintes categorias: observação e invenção. Cada uma é relacionada ao uso ou tipo de estudo que se faz no sketchbook:


· Observação: Têm foco no estudo de documentação do mundo externo, incluindo estudos de viagens, da natureza e também, de esboços de memória do artista;

· Invenção: São esboços que seguem a inspiração e a imaginação do artista. Tem seu uso menos formal e mais livre e auxilia o ilustrador/a ou artista na composição e desenvolvimento de ideias novas e experimentais.

Tipos de sketchbook

            Sketchbooks apresentam uma variedade de formas ,tamanhos, cores, volume além de outros meios e tipos de estudos. Veja a classificação abaixo.


1. Em relação ao meio pode ser:


- Artesanal: geralmente feito com papel, podendo ter diferente números de paginas, cores, formatos, encadernação e papéis especiais;

 

- Digital: facilmente encontrado na web em blogs e sites. Geralmente esboços feitos em dispositivos móveis como, tablets e smartfones com auxilio de softwares gráficos ou esboços manuais que passaram por um processo de digitalização.

 
2. Quanto ao tipo de estudo pode ser:

- Estudo de documentação: esboços e estudos de material histórico, cultural como trajes, objetos de época, ou de uma tribo;

- Apontamentos - esboço de características de objetos, animais ou figura humana, como poses de corpo, estudo de anatomia e movimento de animais;

- Estudo de projetos: estudo de layout de projetos gráficos, ilustração, composição de obras e técnicas de artistas;

- Estudo de estilos: estudo de padrões estilísticos de movimentos artísticos ou, de um artista específico;

- Estudo de memória: esboços e desenhos de memória;

- Experimental: desenhos, pinturas e estudos ao acaso, sem pretensões de atingir um objetivo específico ou pré-concebido. Experimentação de materiais, tintas, suportes, técnicas diferentes, etc.


por: Marcio Ferreira de Araujo Miyazato. Professor da formação de Ilustrador na Findação Bradesco - Osasco.

Referencia Bibliografica:

Zeegen. Lawrence, - The Fundamental Ilustration - Ed.AVA Publising SA- 2005
PARRAMON ,Jose M. Técnicas de ilustración - Parramón Ediciones - 2002

sábado, 2 de outubro de 2010

Ilustração e Desenho Artistico

É comum pensar que ilustração e desenho artístico são sinônimos, talvez, devido à semelhança da linguagem, sua forma expressiva ou pelo uso de técnicas e métodos similares. Porém, é necessário atenção, pois, apesar das semelhanças, a ilustração e o desenho distinguem-se, principalmente, por seus objetivos ou finalidades. É o que veremos a seguir.             O desenho artístico é um meio visual que tem como escopo, de acordo com a maioria dos especialistas, uma forma de expressão com caráter pessoal ou particular, ou seja, manifestação da perspectiva intuitiva do artista e, a princípio, sem uma intenção comercial ou econômica. Seu modo de produção parte do interior das experiências e valores do artista e, é expresso por meio das diversas técnicas e instrumentos que o desenho artístico disponibiliza, tais como: grafite, creiom, pastel seco, bico de pena, gravuras, aquarela, etc.

            A Ilustração é uma arte com fins práticos e econômicos, como meio tem a função de atender uma comunicação pública ou privada, seja ela, institucional, comercial, ideológica, etc. Voltada para a necessidade de mercado pode resultar em: agregar valor ao produto, comunicar identidade corporativa, auxiliar no posicionamento e diversas outras necessidades que envolvem um produto ou serviço de empresas e instituições. São exemplos as ilustrações em embalagens, moda, brindes, jogos, adesivos, etc.
            A ilustração como linguagem, tem um caráter criativo e eficaz, se adequa bem a qualquer público e á diferentes projetos. Ela pode ser adequada para promover comunicação com públicos de faixa etária distinta, podemos notar essa aplicação nos materiais didáticos de diversos níveis de ensino. Também, infográficos, personagens, ilustrações realistas são recursos da ilustração que podem auxiliar outras linguagens de modo a potencializar a comunicação.

As características da ilustração tem uma relação mais próxima com o design e menos com o desenho artístico, pois, a ilustração, assim como, o design, foca no trabalho com linguagem, utiliza-se de briefing para estabelecer a necessidade de um cliente e atende determinados mercados. Enquanto o desenho, apesar de poder apresentar uma linguagem, tem seu foco voltado mais à expressão do artista sem necessariamente ter o compromisso de fazer com que a mensagem seja, objetivamente, compreendida e dirigida à um público ou que atenda a necessidade de um produto ou serviço.  
Quanto ao aspecto formal, na ilustração a tendência vai em direção de composição de imagens mais figurativa e icônica, enquanto no design trabalha-se mais, com a composição de elementos imagéticos, tomado pelo viés mais abstrato e estrutural, isso ocorre, devido a complexidade e objetivos específicos, dentro de um projeto de comunicação. Em geral, muitos projetos procuram combinar e equilibrar as duas linguagens. Por outro lado, a relação entre abstração e figuração no desenho artístico é mais livre. Segue abaixo um resumo:


Podemos observar que a ilustração é uma linguagem visual, a serviço do mercado e da necessidade de terceiros, ou seja, ela atende um briefing (necessidades dos clientes). Enquanto o desenho artístico procura visar uma necessidade pessoal de expressão do artista ou fins artísticos.
Apesar das diferenças entre os termos ilustração e desenho artístico, a base da ilustração e de todas as artes visuais é o desenho. Assim quem pretende atuar bem na ilustração estudar desenho, pode ser de grande ajuda


Referência Bibliografica:
ARNOLD, Eugene - Tecnicas de la Ilustracion. - ed. LEDA. Barcelona, 1982.
MORRIS, Bethan. - Ilustración de Moda. - ed.Blume. Barcelona, 2006.
PARRAMON ,Jose M.- Técnicas de ilustración - Parramón Ediciones - 2002
ZEEGEN. Lawrence, - The Fundamental Illustration - Ed. AVA Publishing SA- 2005.

Marcio F. A. Miyazato é professor da Formação Profissional de Ilustração na Fundação Bradesco - Osasco.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Os meios de ilustração

            A ilustração é uma linguagem imagética, e geralmente, tem sido associado à atividade de um desenhista ou, de um  artistas plástico, porém, ilustrar não é uma atividade exclusiva do desenho, a fotografia, também serve como ilustração. Em outras palavras, um fotógrafo também pode considerar-se um ilustrador na medida em que suas fotografias exerçam a função de ilustrar ou comunicar temas, assuntos, ideias e mensagens, em projetos editoriais, publicitário, etc. Uma ilustração pode ser produzida por meios:

a)    Tradicionais; quando produzido com uso de desenho, pintura, colagem e outros modos artesanais.

b)    Mecânicos; quando utilizados mecanismo de gravura, xilogravura, máquina fotográfica, etc.

c)    Digital; quando utilizado o uso de softwares e tecnologia digital.
 
Mas, qual é o melhor meio para entrar no mercado de ilustração, o tradicional ou o digital?  A resposta é, sem duvida, os dois. Num mercado cada vez mais competitivo um artista deve buscar ser completo. Há alguns mercados como o editorial que tem profissionais da ilustração que utilizam mais, o meio tradicional, mas, no momento de enviar o trabalho para o cliente, terão que digitalizar o desenho ou mesmo, fazer algumas correções no software de tratamento de imagem. Por outro lado, há áreas que privilegiam o digital, mas, somente o processo digital tem limitado o aspecto criativo do ilustrador, assim, o meio e os processos tradicionais podem contribuir com o digital. Dentro de grandes agências de publicidade ou escritórios criativos de design, o ilustrador pode vir a utilizar dois ou três métodos num trabalho, desse modo, não devemos desprezar o potencial de cada método disponível.

            Como podemos ver, há três meios ou métodos de ilustração, ambos têm seu potencial especifico, cabe o ilustrador ter sensibilidade e percepção estratégica para definir qual, quando e onde utilizar cada método. Apesar dos vários meios,


por: Marcio Ferreira de Araujo Miyazato. Professor da formação de Ilustrador na Findação Bradesco - Osasco.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Temas para Ilustração

Ilustrar é comunicar por figuras, representar ideias com imagem que possam atender as necessidades de comunicação dos diversos setores da sociedade. Isso implica para o profissional de ilustração saber abordar e desenvolver diferentes tipos de temas com o desenho. Veja abaixo os principais temas. Esta lista é ótima para quem quer montar um portfólio, ou para quem quer exercitar a arte da ilustração!


Temas para desenhar:
Objetos
Transportes
Pessoas
Esportes/Lazer
Abstratos
Animais/Vida selvagem
Fundos/Texturas
Arte
Beleza/moda
Edifícios/Finanças
Celebridades
Editorial
Comidas e Bebidas
Educação
Cuidados de Saúde
Festas
Industrial
Interiores
Modelos (com autorização)
Natureza
Parques /Ar livre
Ciência
Sinais e Símbolo
Tecnologia
Vetores/ clip-art
De Época
Diversos

Dica: Crie um blog, publique seus desenhos e compartilhe com outros artistas. Isso vai ajuda-lo a perceber a qualidade gráfica do seu desenho e ter uma avaliação construtiva por meio do comentário de seus amigos ou profissionais da área.

Marcio Ferreira de Araujo Miyazato. Professor da formação de Ilustrador na Findação Bradesco - Osasco.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Níveis de atuação na ilustração.

            A formação de Ilustração no Brasil tem sua origem no ensino do desenho artístico e artes plásticas. Muitas escolas não aprofundam questões próprias da área da ilustração, não refletem sobre dimensões que envolvem a linguagem da ilustração e nem seu papel como meio de comunicação. O resultado disso é uma formação inconsistente, e mais, uma geração de ilustradores sem base sólida, que sequer conseguem defender, seu papel no mercado. No Brasil a atividade é mal repensada, não há por parte de muitos ilustradores brasileiros uma necessidade de discutir a ilustração com uma profundidade mais teórica. Os diálogos ficam no nível técnico e artístico, não entra para um nível conceitual, o que faz com que a ilustração, não seja vista em sua complexidade e lugar merecido, por outro lado, algum que ao entrar no nível acadêmico abandonam a pratica e reduz sua atuação no mercado. Assim, podemos encontrar níveis de atuação com ilustração: o nível de ilustração artesã, amadora, semiprofissional, profissional e acadêmica.

 
a) Ilustração-artesã: é aquele nível onde o ilustrador/a atua de modo prático e defende a ideia de “dom” para desenhar. Para este, a ilustração se resume em técnicas próprias, principalmente, a técnica que ele ou ela domina ou sabe. Na Ilustração-artesã, o sujeito não se interessa por estudos, seu método é acerto e erro pela pratica. Na verdade sua atuação reduz à ilustração ao seu “dom” de desenhar.

b) Ilustração-amadora: está um pouco à frente da Ilustração-artesã, pois, o amador/a apresenta interesse de aprender outras técnicas, porém por meio de autodidatismo. No nível amador, o ilustrador/a torna-se consumidor de livros e revistas de técnicas de desenho e pintura, além dos tutoriais que encontram na internet. Sua atuação no mercado não é tão limitada como a do ilustrador artesão, mas, perde-se com uma visão tecnicista, a noção do quanto o trabalho de ilustração vai além do mero produto técnico e artístico.
 
c) Ilustração-semiprofissional: Neste nível, o trabalho com ilustração apresenta preocupação tanto com aspectos técnico-artísticos quanto com aspectos conceituais ou de comunicação. Neste nível o ilustrador/a procura se atentar com a mensagem que sua ilustração pode ou não representar. Já tem um dialogo pra além da técnica, se preocupa com o público e com a comunicação da mensagem de seu cliente.

d) Ilustração-profissional: Este nível, o trabalho com ilustração apresenta preocupação tanto com aspectos técnicos quanto com aspectos conceituais, quanto a outras funções que uma ilustração pode impactar dentro de um projeto como um todo. Neste nível o ilustrador/a sabe que seu papel vai além da produção de artes ou textos visuais. O sujeito se atentar com o impacto social econômico e cultural que uma ilustração pode exercer. Por exemplo, numa ilustração publicitaria, a ilustração além de representar os conceitos de um produto ou serviço, também, pode apelar retoricamente aos desejos do publico; como os “apetites appeals” de sorvetes, chocolates, sucos e outros produtos e serviços.



 


Exemplo: Apetite appeal - picolés refrescantes
(o termo técnico, apetite appeal significa apelo à fome) 

A ilustração pode seguimentar um produto ou serviço; quando com uso de personagens um produto é direcionado para o público infantil ou outro público. A ilustração como linguagem, pode modular um projeto de comunicação; quando num panfleto informativo sobre saúde ilustra personagens ou usa linguagens como quadrinhos, infográficos em direção a um determinado gênero, faixa etária ou sujeito com aspectos cognitivos delimitados.

            O ilustrador/a profissional tem consciência (ou deveria ter) que a ilustração dentro de um projeto pode exercer função de: potencializar a comunicação, colaborar com estratégia de marketing e propaganda, compor um produto e impactar tanto no capital simbólico como financeiro da empresa ou instituição.

a) Ilustração-acadêmica: é aquela que se limita ao discurso teórico sobre ilustração. Neste nível a pratica não é tão importante, mas, sim a reflexão sobre a ilustração sobre o viés de diversas disciplinas e perspectivas teóricas. Disciplinas como: Teoria da imagem, Semiótica, Historia das artes, Linguagem Visual, Psicologia Gestalt, Antropologia visual, Estética, Gramatica visual, Teoria das cores, Sociologia do consumo e da arte, Linguística e outras mais, podem auxiliar o ilustrador a compreender, qualificar e melhorar sua área de atuação.

Como podemos ver existe vários níveis de atuação com ilustração: o nível de ilustração artesã, amadora, semiprofissional, profissional e acadêmica. Nesse curso não temos interesse pelo nível da ilustração-artesã. Buscaremos uma orientação para o nível profissional, mas, nada impede o estudante de iniciar na carreira pelo nível amador e durante o decorrer do tempo alcançar o profissional. Então, prepare um pequeno portfolio e boa sorte!

por: Marcio Ferreira de Araujo Miyazato. Professor da formação de Ilustrador na Findação Bradesco - Osasco.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ilustração: sintaxe, semântica e pragmática.

A a ilustração e o desenho distinguem-se, principalmente, por seus objetivos ou finalidades, dito de outro modo, seu uso ou dimensão pragmática.

Vamos utilizar três termos do estudo da linguagem para compreender melhor essa distinção entre ilustração e desenho artístico em relação sua função como linguagem e mídia. Observe a figura abaixo:
 
 
 

O termo sintaxe vem do grego sin (junto, ao lado de), taxe (conduzir) que significa colocar conduzir junto ou ao lado. Os aspectos sintáxicos ou sintáticos são os aspectos da composição dos elementos visuais ou gráficos da imagem como: cor, tonalidade, textura, orientação e disposição espacial entre as figuras, formas e outros elementos visuais. Na imagem acima, temos uma composição entre um fundo de uma paisagem com predominância de cores frias e neutras, com predominância do verde e é bem dividida espacialmente da figura do personagem, em primeiro plano, com cores quentes. Apesar do contraste à uma harmonia entre verde vermelho que são cores complementares.  O cenário predomina no espaço acima da composição enquanto o personagem fica abaixo, etc. Informações desse tipo, mais visual ou gráfico que consideramos à dimensão sintáxica da imagem.
            O semântico refere-se ao conteúdo ou ideia que lemos na compreensão da imagem. Trata-se do significado ou a mensagem que ela produz. Por exemplo, percebemos na imagem, um cenário arborizado, com casas vista de cima e, a frente um garoto criativo e aventureiro com seu carrinho de rolimã voador. A dimensão semântica é a dimensão do significado da mensagem da imagem.
            A dimensão pragmática pode se referir ao uso, no sentido de efeito da mensagem no público, quanto também, implicar no sentido utilitário do termo. A imagem acima do cenário arborizado, com casas vista de cima e, à frente um garoto criativo e aventureiro com seu carrinho de rolimã voador, pode produzir um efeito contemplativo lúdico ou divertido, passar uma sensação de aventura, adrenalina e até mesmo estimular o público buscar uma aventura, refletir no tema da criatividade ou das invenções da humanidade, etc. Devido a esse potencial de produzir efeito é que essa imagem pode ser apropriada como instrumento de comunicação, propaganda ou como objeto de exposição. Vamos observar abaixo essa questão do uso no sentido utilitário:
 
 
Acima à esquerda, o desenho pode, em determinado contexto, ser utilizado como uma arte para uma exposição, onde seu tema transmite a ideia de aventura e criatividade. À direita, o desenho teve acréscimo de outras informações e foi aplicado a um cartaz de comunicação visual para um evento de feira de quadrinhos, nesse momento, o desenho é utilizado para atender uma necessidade de comunicação e marketing de um cliente, agora numa relação de fins comerciais, e não mais, uma necessidade de expressão pessoal do artista, logo, passou a ser uma ilustração.  A ideia, de aventura e criatividade, foi deslocada e explorada para a composição da mensagem de um cartaz publicitário, com objetivo de passar uma mensagem para atrair um determinado público para um evento de mercado. Para concluir, podemos dizer que o valor pragmático e utilitário do desenho artístico, vai em direção ao contemplativo e ao estético, enquanto, na ilustração a direção é ideológica e mercadológica. Essa distinção se faz cada vez mais necessária na área da ilustração, para o ilustrador, enquanto profissional, possa demarcar um lugar ético e uma identidade definida e seu valor na sociedade.
 
por: Marcio Ferreira de Araujo Miyazato. Professor da formação de Ilustrador na Findação Bradesco - Osasco.